segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Partes da minha vida III Minha vida em brumas


...

Para variar escrevo, a dor vai embora mais rápido, a cura também...


O frio da manhã era intenso, úmido. Sentia-me
enregelado,
aquelas águas não só congelavam a pele, como também a alma.Mas
era preciso; após
tanta dor e sofrimento, somente um tempo sozinho,
acalmaria minhas emoções.
Ao fundo, as montanhas onde se escondiam o vale, o
rio e a vila . Dali eu
fugira há algum tempo tentando esquecer.
Apesar
do clima frio, a paisagem
conseguia me acalmar e assim, com o tempo, as
feridas foram sendo fechadas.
Ainda não conseguia obter coragem para
retornar à vila. O medo de deixar este
lugar que me curara, sufocava-me.
Um dia, respirei a mesma bruma fria que me
tirara o sofrimento e esta
então mostrou-me que era hora de ir.
Afinal,
encararia novamente o lugar
que me havia marcado de forma
tão dolorosa.
Parti.

Morava em Valparaíso esta época, estava falida e quase sem esperanças, mas Deus é pai e não padrasto...

Partes da minha vida II PAIXÃO


Estava apaixonada quando escrevi este conto, no ônibus...






Chegamos. No jardim, a aragem
refrescava a noite. O burburinho no salão fazia-se ouvir de onde estávamos.
Seria uma celebração alegra, um débout, apresentação sem sentido à
sociedade.


Entramos, o vai-e-vem de convivas e
bandejas, um brilho ofuscante de pratarias, taças e lantejoulas das mulheres. Vários perfumes, um
azáfama de cores e vozes. Emoções turbilhantes.


Vimos então, no alto da escada, a debutante,
linda e esvoaçante em tons de rosa e branco. Tão jovem e já entregue às vaidades sociais. Meus
sentimentos a ela não tocavam.


Dançamos, como parceiro nesta
dança pude deliciar-me com seus cheiros e trejeitos. Seu hálito próximo a mim,
enlouquecia-me.


Fomos embora, a noite já cedia
lugar aos primeiros raios de sol, contive-me mais uma vez, não me declarei.
Emoções sufocadas.
Escrito em 96, não lembro o dia, só recordo que estava chovendo...