segunda-feira, 17 de junho de 2013

Texto escrito para a Revista Bsb Plus Size nº 1

Nasci sozinha, num dia em que o Brasil tornava-se tricampeão de futebol mundial, nenhum médico por perto... de olhos abertos e sem chorar, como conta minha mãe...
Cresci no intervalo de duas gerações...sete anos mais nova que minhas irmãs mais velhas, sete anos mais velha que minha irmã caçula...a síndrome do terceiro filho...
Hiperativa sem diagnóstico, fui "expulsa" do Jardim de infância aos 4 anos de idade...por saber ler e fazer contas... acho que daí começou meu recolhimento que durou uns 35 anos...
Saber e ser condenada ao isolamento só aumentou minhas neuras...ler, comer, estudar, comer para ver se aquele vazio era preenchido...qual nada, a única coisa que aumentava era o número das minhas roupas...
Adolescência, algo em mim foi despertado e por causa de um amor platônico resolvi emagrecer...sem comer é claro, ou com dietas de lua e sopas milagrosas...perdi peso e ganhei uma úlcera e uma insônia que me acompanha até hoje...
Virei atleta...dança, natação, handebol, corpo perfeito( apesar das dores de estômago), felicidade forjada...essas coisas...
Faculdade, noivado, casamento e...decepção...tristeza...solidão...de volta as neuras infantis, e com elas um peso absurdo, cultivado ao longo de 15 anos de casamento...
Separação, 35 quilos a menos, dieta, exercício e umas droguinhas milagrosas... depressão, angústia e coração acelerado...constatei que as tais droguinhas eram a causa...larguei tudo e novamente...casei...
Mais oito anos, melhores que os primeiros quinze, outra pessoa, e novas decepções, ganho de 28 quilos...
Nova separação e finalmente uma luz na mente...tenho que viver para mim mesma e conquistar meu corpo definitivamente, afinal ele é a morada da minha alma, já meio cansada de tanto estica e puxa...
Esse nível foi atingido com muita terapia e conversa boa, amigos e espiritualidade, não foi tão simples com relato aqui, foi conquistado dia a dia, houve quedas e grandes avanços e o que de tudo ficou foi uma Dione que vive para si mesma, que aceita o que não pode mais ser mudado e usa tudo aquilo que pode ser desfrutado...dos 166kg, ficaram 87kg de muito amor e alegria.
Como sei que assim como nasci sozinha, morrerei sozinha, o intervalo tem que ter qualidade, vive-lo-ei da melhor forma possível, correndo, dançando, nadando e amando, porque é disso que a vida é feita.

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