quinta-feira, 25 de julho de 2013

Conto nº 3

Há poucos momentos, o corpo em frenesi não discernia exatamente o acontecido ,estando a regalar-se em prazeres...
De costas, na cama, olhos semicerrados, só o gozo indo e vindo como estertores, languidez exagerada, nenhum tipo de pensamento a não ser uns pecaminosos antevendo o próximo deleite...esperando sentir aquelas mãos nas costas sentindo como estar sendo pisoteada por mil gatinhos, tamanha era a maciez e delicadeza....excitante e libidinoso pensar que eram mãos grandes e extremamente fortes capazes de carinhos profundos e molhados. Passam, amassam, beliscam, apertam, seguram. Seduzem e travam, esperam e aceleram...como é bom. Instantes de perda de fôlego, sumiço dos sentidos e sensação de morte, aliás, se a morte for isso, estou pronta...
Em alguns momentos, a mente dispara, quase que para outra dimensão, meditativa, somente entranhada por impressões realmente desconhecidas e inéditas a cada repetição do ato, equipara-se a uma oração, não querendo aviltar esse conceito, usando-o apenas para definir o poder de concentração alcançado nesses pedaços de vida.
De frente, tentando ritmar a respiração ofegante, observo o semblante ignoto, difícil perceber a quantas anda a satisfação do outro, até que por um momento, um olhar encontra o outro e então não há mais necessidade de palavras, nem de explicações inúteis, volto somente às sensações e desejos e ansiedades...

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