domingo, 22 de setembro de 2013

Poemeto nº 11

Empurra!
Empurra o chão
Vai
Está quase lá
Você consegue
Já conseguiu tanto
Não são alguns metros
Ou qualquer dor
que te impedirão de fazer isso
Vai, não para
A dor passa
O cansaço já não existe
Vambora corpo
responde
sai do lugar
Olha lá
a luz!
Está chegando
felicidade inexplicável
a ladeira nem parece tão grande
outros vão ficando para trás
use-os como força
vai
empurra o chão
quadril, pode esquecer que não vou parar
suor salgado
gostoso
coxas tesas
luzes, subida
o fim
o portal aparece
o sorriso também
de volta finalmente
a dor passou
não tem nenhuma lágrima
está chegando
vai!
Empurra esse chão
e junto com ele
empurra sua vida para adiante
vive
respira
vai!!
Tão próximo
azul, quadrado
lindo
piscando
como seu futuro
tudo azul
quase lá
mais alguns passos
mais algumas dores
vai!
o chão vira o passado
pisar nele é aprender
não esquecer
só aproveitar a experiência
o conhecimento
e seguir adiante
VAI
olha para o alto e agradece
muito
por tudo
até por esse passado que não passa
olha vai, está a um metro
bonito demais
um número vai ficar para sempre na memória
o sorriso não desgruda
a vontade é pular e gritar
mas o aconselhamento é segurar
brilhar mas não ofuscar
respeitar o momento de cada um
alegrar-se com o seu e seguir
e esperar
e aguardar que o outro chegue
te alcance
e se abra
para o azul
para o ouro
para a vida
Vai, descansa
e amanhã
vai...

quarta-feira, 18 de setembro de 2013

Poemeto nº 10

Eita coração velho
Aguenta pedrada
De todo lado...
Mas aí resolve
olhar o passado.
E o que vê?
Cacos?
Não mais...
Só vê
a lembrança...
É a de um anjo
Que Deus mandou
para colar tudo.
Anjo travestido de homem
com cheiro de álcool
com olhar de lobo
com coração de cordeiro
e alma de pura pureza,
com certeza.
Veio manso
com voz lenitiva
mão amiga
abraço forte.
Orgulhoso e mascarado.
Com o tempo,
tudo compreendi.
E aquele que parecia
um poço de vaidade.
surgiu como uma deidade
e juntou tudo.
Quando percebi
estava colada,
reparada,
não mais bipartida,
pronta para ser amada.
Ele,
premeditadamente,
por duas vezes voou,
para que minha casca endurecesse
e eu aprendesse a voar.
Mas
no último encontro
um milagre veio à tona
e talvez a recordação
tenha fê-lo olhar o próprio passado...
De anjo decaído...
E foi.
Voou.
Voa meu anjo.
Ama.
Cura.
Vive.
Mas não se esqueça que asas me deu.
E aprendi a voar.
Não chorei com sua partida,
só assustei.
Amo-te,
Anjo,
Vai.

sexta-feira, 13 de setembro de 2013

Aquele ou aquilo

Quando no início
a inocência não o deixou ver
o amor latente,
aceitar era o único jeito...
Seguir a vida
só com lembranças,
viver ou fingir viver,
ter anos de claustro
e quando a pena acabou,
respirar e avistar,
aquele ou aquilo,
que sempre acreditou
ser o exato,
o certo.
Exultar com a presença,
Extasiar o espírito,
aquele que fecharia o ângulo,
aquilo que esperava existir.
Conspirou o universo
e trouxe de volta
de uma só vez
o amor
e a esperança.
Contrariando todos os ditados
ela, a esperança
morreu,
sucumbiu derrotista
e aquele ou aquilo
que tanto sopro trouxera
foi abafado,
apagado...
Dor e vazio deixados
no corpo a sensação de corte,
arrancar de um ser
os sentimentos restantes,
fazer como nos tempos obscuros,
violentar uma semente germinada
e fazer esse de cá
acreditar ser e ter nada
acreditar que novamente
foi cuspido,
devolvido
Complicada a situação
para aquela que encontrava-se na razão
que controlava a emoção,
perdeu o chão,
o brilho
e o sorriso,
antes eterno,
ressurgido limpo e fresco
do tempo da imaturidade,
agora, relutantemente
fechado
não passando de um esgar.
Aquele ou aquilo
também culpa não tem
pois apenas cedeu
a própria natureza,
póstuma,
com certeza.

domingo, 8 de setembro de 2013

Ah...Domingo à tarde...

Antes um celeiro de descobertas
 ou preguiças
ou conversas
Agora um passar de horas
que tão ruim
não chega ao fim
Antes uma diversão quente
ardente
malemolente
Agora um dissabor
uma lembrança
um agror
Antes a expectativa
a espera
o calor
Agora a descrença
a desesperança
a dor
Ahn...domingo a tarde...
tão gostoso quanto sorvete
tão cheiroso quanto alfazema
agora
nem tão doce
nem tão suave
Só...somente
http://www.vagalume.com.br/um-amor-para-recordar/only-hope-traducao.html

sábado, 7 de setembro de 2013

Poemeto nº 9

Arrebentou a represa
De concreto armado
Amado, sei lá
Uma palavra
Que tanto queria ouvir
Foi a mesma que rachou
Explodiu
Ecoou
Escoou
Saiu e vazou
Não pôde suportar
Tanto tempo
Fincada
Segura
Certa da certeza
Cheia de pompa
Seguia firme
Egoísta, às vezes
Não dava vazão
Àquilo que necessário era
Orgulhosa, sempre
Suponhando suposta sua
fortaleza
Quebrou
Estilhaçou
E o medo, Velho conhecido
Aportou
Na beirada que sobrou
Para ver de perto
O estrago que causou
Quando ele mansamente
chegou
E desapercebidamente adentrou
a parede da represa que rachou
Medo medonho
Raiva incontida
Velha e triste
Pensada morta
Avivada e torta
Engraçado como a racha
Nos dois sentidos da palavra
Provocou o ocorrido
E a represa já e sempre desastrada
Como dantes, sucumbiu
Dessa vez perdendo
Talvez
A derradeira liga
Que de antiga
A vontade e a fadiga
Já confundam o elemento
Não sabendo se o ligamento
Do cimento endurecido
Vai voltar a funcionar...
A represa, a racha e o cimento
Resolvem então
Deixar a água escoar
E lavar pela sua própria propriedade
Os restos da originária
Que cansada de segurar
O líquido Santo
Deixou que o medo  fortalecesse a racha
E endurecesse o cimento
E agora?
Cimento duro
Racha aberta
Represa quebrada
Só resta esperar
O medo retornar
A seu devido lugar
A represa sarar
A racha fechar
E o cimento emendar
E depois
Encher do transparente
Daquele que faz o ser, vivente
Que pode ser latente
E ter nome diferente
Pro cimento um irreverente
Pra racha um indiferente
E pra represa um significante
Porque como parte segura
Precisa estar firme
E brilhante
E refletir aquilo
Que todos querem ver
Sem se importar em saber
O querer
Daquela que detêm o poder


quarta-feira, 4 de setembro de 2013

Frases de um amigo

" A oração promove a reordenação das moléculas do universo".
" Quando o cristal do amor ou da amizade quebrar por falha de uma das partes, não há motivo para desespero...transforme os cacos em um lindo candelabro e ilumine tudo novamente!"
Em noite inspirada.

Poemeto nº 8

Já dizia algum sábio
que a vida é assim
o tempo avoa
e a gente também
avoa, porque fica abestado
pensando, esperando que aconteça
algo que realmente entristeça...
é...
se pegássemos a rédea dela
e tocássemos na direção certa
e reta
decerto ficaríamos mais alertas...
é...
mas se fosse fácil assim
graça ela não teria
e os erros de outrora
e os acertos de hoje
só seriam agonia...
é...
quando nós apeamos
desse trote louco
vemos que por tão pouco
não aconteceu o que desejávamos...
é...
um olhar esquecido
um sorriso não reconhecido
um abraço que não era amigo
e o mal vem vindo...
é...
difícil saber se é verdade
aquele amor que não parecia maldade
vir como chicote
e cortar abrindo fenda
e trucidar aquele mot
como se fosse apenas uma venda...
é...
outra parte chega e te acha de calça curta
crendo que a vida, agora dura
tivesse mandado um caminho melhor
e você segue, sem saber que seria pior
é...
a dor
o medo
a desilusão
a destruição
irremediável
o carregamento de uma culpa insana
que te faz acreditar que merece
toda aquela traquitana
é...
mas como o pai celestial
de tudo faz para que o filho aprenda
e evolua
e erga a crista
e pare de carregar a trouxa da vida
que não soube escolher,
abre novas portas
e novas janelas
e trás novas pessoas
e lava a alma
e tira o roxo
que marcava meu perispírito
e me faz acreditar
que ainda há caminho
que ainda tem jeito
que nem tudo foi perdido
e que nesse peito
ardido
dolorido
pisado
e esquecido
pode ressoar ainda
um belo som
um belo acorde
um arpejo que
mesmo sendo doído
recheia a mente de luz
e o coração de sopro
e a vida
ah... a vida...
essa a gente vai vivendo...
dessa vez num caminho...
não tão sozinho...
com o bater de vários corações
que também passaram
por várias portas e janelas
que também tem cicatrizes
que também tem medos
mas que também...
como o meu
continuam tentando
e caminhando
e sorrindo
e cantando
é...assim a vida é...