sábado, 7 de setembro de 2013

Poemeto nº 9

Arrebentou a represa
De concreto armado
Amado, sei lá
Uma palavra
Que tanto queria ouvir
Foi a mesma que rachou
Explodiu
Ecoou
Escoou
Saiu e vazou
Não pôde suportar
Tanto tempo
Fincada
Segura
Certa da certeza
Cheia de pompa
Seguia firme
Egoísta, às vezes
Não dava vazão
Àquilo que necessário era
Orgulhosa, sempre
Suponhando suposta sua
fortaleza
Quebrou
Estilhaçou
E o medo, Velho conhecido
Aportou
Na beirada que sobrou
Para ver de perto
O estrago que causou
Quando ele mansamente
chegou
E desapercebidamente adentrou
a parede da represa que rachou
Medo medonho
Raiva incontida
Velha e triste
Pensada morta
Avivada e torta
Engraçado como a racha
Nos dois sentidos da palavra
Provocou o ocorrido
E a represa já e sempre desastrada
Como dantes, sucumbiu
Dessa vez perdendo
Talvez
A derradeira liga
Que de antiga
A vontade e a fadiga
Já confundam o elemento
Não sabendo se o ligamento
Do cimento endurecido
Vai voltar a funcionar...
A represa, a racha e o cimento
Resolvem então
Deixar a água escoar
E lavar pela sua própria propriedade
Os restos da originária
Que cansada de segurar
O líquido Santo
Deixou que o medo  fortalecesse a racha
E endurecesse o cimento
E agora?
Cimento duro
Racha aberta
Represa quebrada
Só resta esperar
O medo retornar
A seu devido lugar
A represa sarar
A racha fechar
E o cimento emendar
E depois
Encher do transparente
Daquele que faz o ser, vivente
Que pode ser latente
E ter nome diferente
Pro cimento um irreverente
Pra racha um indiferente
E pra represa um significante
Porque como parte segura
Precisa estar firme
E brilhante
E refletir aquilo
Que todos querem ver
Sem se importar em saber
O querer
Daquela que detêm o poder


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