sexta-feira, 25 de outubro de 2013

Poemeto nº 18

Vazio, cria infinito
Li isso em algum lugar
Há que ter espaços vazios para que
A criação aconteça
Então ser um conjunto vazio
Não é demérito
É graça
E até dizendo besteira
Ele consegue me fazer crescer
Sei que não sou vazia
Sei que não sou nada
Sei também que o nada dói
Então existe
E a cada preenchimento deixo de ser vazia
Ou não
Ou a vã filosofia
Explica ao contrário
Como começar um jogo de xadrez pela queda do rei?
Como diria um matemático antigo
Ser vazio é o que há entre o oito e o nove
 então não há vazio
a álgebra explica
se matematicamente não há prova
emocionalmente pior ainda
o vazio é feito para ser preenchido
é quase erótico
uma cavidade sempre pronta
um ser sempre pronto a receber
a amar
sem mágoa ou ressentimento
ser vazio é isso
poder caber
poder doar espaço
poder acolher
é isso
existir sem ferir
viver sem ocupar
ser nada e suportar
o peso do mundo sem chorar
é isso
ser vazio
empty
niente
nothing
nada
ser apenas.

ABC

Linda
Linda vermelha
Púrpura
Delicada
Decidida...
Demorada
Certeira, lilás
Como flor-de-lis
Como jasmim
Como qualquer flor
Como todo amor
Lépida, sagaz
Bela e voraz
Amar é seu destino
Cuidar é sua sina
Bela dama
Bela alma
Bela menina


segunda-feira, 14 de outubro de 2013

Esses dois...

365 dias se passaram
E ainda não agradeci o necessário
Presentes divinos ganhei
Dois corações
Um
Cheio de amizade
Outro
Cheio de tudo
Um
Prestativo e presente
Outro
Pleno e ausente
Os dois me preencheram
De formas desiguais
Mas de toda maneira
Abriram canais
Com dor
Sem dor
Com sorrisos
Com lágrimas
Com sons maviosos
Com toques maviosos
Com companhia
Com conversa
Com coração
Com pensamento
Com nostalgia
Com vanguarda
Com tanta coisa
Que esse ano não coube
E
Abençoada como me sinto
Pressinto mais tempo
De amor
E companhia
De suor
E alegria
De música
e folia
de lágrimas de euforia
Grata sou
Ao Criador
Pois se sou merecedora
Desses dois
Posso agora ir
Feliz
A qualquer lugar
A qualquer tempo
Em qualquer circunstância

Sem sofrimento...

sexta-feira, 11 de outubro de 2013

Poemeto nº 15

Fechei os olhos e
dei o melhor de mim
dentro da cicatriz.
Foi como estar
dentro de um gel
flutuando sem apoio
numa bolha brilhante.
A sensação de solidão
o silêncio devastador
a agonia do sufocamento.
Dentro da cicatriz
a mágoa se forma
o medo se acopla
a traição acontece.
Na cicatriz escorregadia
os temores tomam forma
e quanto mais me debatia
mais sufocava
o gel penetrava a garganta
tirando qualquer possibilidade de respiro.
As mãos não alcançavam nenhuma ranhura
até que no fim de algum poço
a bolha toca
e estoura
e descubro que posso sobreviver
nadar na direção das outras bolhas formadas
e respirar.
A luta é árdua
o nado é difícil
os braços doem
os pulmões querem arrebentar
só a possibilidade de vida
me mantém em esforço.
A luz aumenta e percebo que estou perto
mais um impulso e chegarei à superfície
abro a boca em desespero
respiro a longos haustos
encho o peito de ar...
dentro de outra bolha maior
que não posso mensurar...

quarta-feira, 2 de outubro de 2013

Poemeto nº 14

Luzes Olhos Encontro
Sorriso Desencontro Dança
Aprochego Beijo Delícia
Arrocho Pegada Tempo
Água Encontro Sorriso
Costas Volta Vamos
Fala...
Fala...
Fala...
Roubo-te?
Rouba-me?
Novo Gentil Forte
Fraco Sono Morte
Sorriso
Fala...
Fala...
Fala...
Tampa o oco
Recobre o descoberto
Acende outra chama
Rola na cama
Perturba a mente
Antes consciente
Joga fora ideias
Reduz a vida
Simplifica os conceitos
Arregala os olhos
E sorri
Vem lindeza
O mundo te espera!

Poemeto nº 13

Cerimônia, data
Preocupação, respeito?
Este demonstrado
Quase afogado
de um desejo reprimido
Escondido
Magoado

Bater de frente, assustar
Querer sair e libertar
Mas como?
Aguilhoado, amarrado
Preso em si
Medo atroz
Veloz
Algoz

Tempo, tempo, tempo
Orixá divino
Dono da certeza
Da incerteza
Que depende da beleza
Da verdade
Da crueldade
Da judiança
Da querelança
Da abastança

Ironia?
Judia, machuca
Provoca o id, o ego
Faz ruindade aparecer
Desata o desejo já atado
Termina como sempre
Em machucadura
Rachadura
Desesperança

A falta de coragem?
No vento faz festança
O medo do outro passa
Descobre que respira novamente
A dor amaina
E quando vê
Aquela que estava apenada
Aperreada, apeada
Aproveita a brisa,
e sábia
Avoa...

Poemeto nº 12

O bom e velho, velho
Sábio, bobo
Nervoso, cuidadoso
Abençoado com já disse antes
E belo...
Belo de coração
Despido de orgulho
Fez enxergar com outros olhos
A dor que achava que nunca passaria
Você é luz
Atrai mariposas
E algumas resistem, outras morrem
Ofuscadas talvez por um brilho que seria salvador
Fez compreender a verdadeira missão
De guia
De farol
De compromisso com a Terra
De palavrório que não pode ser em vão
Fez sentir-me amada
Você é querida, onde chega aglutina
Não tem noção da benquerança?
Arregala esse belo par de olhos e vê
Vê tudo que aprendeu e usa
Usa sua mente
Em benefício próprio e dos seus
O resto, o em volta, apenas a seguirá
Por amor, por sensação
Por creditude, por empatia
Fez amar de novo
Não um ícone ou um passado
Não um ser ou uma personalidade
Ama a todos
Dá-se a todos
Amor não se pesa, não se mensura
Espalha o sentimento que o Divino lhe entregou
Espanta a tristeza do seu olhar
Inebria com seu colar de marfim,
esse que brilha mais que o Sol
Faz com todos o que fez comigo
Faz te amar
Nem precisa de força
Basta amar
Como eu