sexta-feira, 11 de outubro de 2013

Poemeto nº 15

Fechei os olhos e
dei o melhor de mim
dentro da cicatriz.
Foi como estar
dentro de um gel
flutuando sem apoio
numa bolha brilhante.
A sensação de solidão
o silêncio devastador
a agonia do sufocamento.
Dentro da cicatriz
a mágoa se forma
o medo se acopla
a traição acontece.
Na cicatriz escorregadia
os temores tomam forma
e quanto mais me debatia
mais sufocava
o gel penetrava a garganta
tirando qualquer possibilidade de respiro.
As mãos não alcançavam nenhuma ranhura
até que no fim de algum poço
a bolha toca
e estoura
e descubro que posso sobreviver
nadar na direção das outras bolhas formadas
e respirar.
A luta é árdua
o nado é difícil
os braços doem
os pulmões querem arrebentar
só a possibilidade de vida
me mantém em esforço.
A luz aumenta e percebo que estou perto
mais um impulso e chegarei à superfície
abro a boca em desespero
respiro a longos haustos
encho o peito de ar...
dentro de outra bolha maior
que não posso mensurar...

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