sábado, 6 de dezembro de 2014

Poemeto nº 32

Erradamente
Achei que bastasse
Erradamente
Achei que fosse
Erradamente
Ouvi e cri
Erradamente
senti
Acertadamente
percebi
entendi
e vi
Acertadamente
e sutilmente
senti diferente
Hesitante
aceitei
Hesitante
temi
Hesitante
anuí
Expectante
espero
Expectante
fio-me
Em mim
No eu
Novo
Espero...

Um achado

Quando encontrar alguém e esse alguém fizer seu coração parar por alguns segundos,
preste atenção: pode ser a pessoa mais importante da sua vida.
Se os olhares se cruzarem, e nesse momento, houver o mesmo brilho intenso entre eles, fique alerta:
pode ser a pessoa que você está esperando desde o dia em que nasceu.
Se os olhos se encherem d'água nesse momento, perceba:
existe algo mágico entre vocês.
Se o primeiro e o último pensamentos do seu dia for essa pessoa, se a vontade de ficar juntos chegar a apertar o coração, agradeça:
Deus te mandou um presente.
Aída, obrigada por ter escolhido ser minha filha!

junho/2009

quinta-feira, 13 de novembro de 2014

Poemeto nº 31

Ah...anjo...
Não te deixo
Não me deixas
Não somos
Nem seremos
Mas fomos
Por breves instantes
Perfeitos
Unidos
Suados
Bicolores
Odores
Amores

Ah... anjo...
Cai do céu
Aparece
Voa novamente
Pousa aqui
Dentro desse peito
Que nunca te esqueceu
Ri
Sorri
e me desmonta
Me joga de cá prá lá
Me chama de branca

Ah...anjo...
Esqueço não
Queria mesmo olvidar
O entender
O encontrar
Mesmo sem querer
Mesmo sem contar

Ah...anjo...
Bate asas pro noroeste
Boreste, leste
Algo assim
Mas pousa por aqui
De verdade
Aí, olvido...e volto a sonhar

A lente objetiva e o copo de leite

E deu-se o conhecimento
Lento como esperado
e foguento como devido.
A lente de vários milímetros
O leite de vários matizes
Com função de ler e olhar
a lente era espetacular
Como função de nutrir e amar
O leite era sem par
Estranha combinação
Um vê, guarda
Outro nutre, dá
Mas como explicar
Coisas já prontas?
Daquelas que vem assim
Sem onda fazer
Sem mau causar
Então...aproveitar!
A lente que tudo vê
Deve aprender a nutrir.
O copo que tudo dá
Deve aprender a sonhar.
Sem molhar a lente.
Sem azedar o leite.
Somente manipulando os zoons.
Somente adoçando as bocas.
Abrindo o diafragma...
Deixando tudo branco...
Captar e mover...
Saciar e ir...
Só.

quarta-feira, 5 de novembro de 2014

Grito Primordial ( argumento Raul la Fuente)

Daquelas lembranças tais
Que são desiguais
Essas geniais
Queria guardar jamais...mas...

Daquele primeiro vagido
Doído, nascedouro
Ar entrando, rasgando
Tomando forma e cor
E sabor
Pouco lembro...

Daquele ouvido e temido
"Menino, entra!"
Tremido e adivinhado
Desse advinha até temor
Mas não passava de amor

Daquele prenunciado
Antes do pecado
Ohhh...primogênito e só
Cheio de cheiros, e só

Daquele que fugia ao controle
Da expectativa, fininho
De surpresa e alegria

Daquele do qual nasce o fruto
Baixio e forte
Longo e até cruel

Daquele de dor, no sangue, no outro
E mesmo sem talho vosso
Dói mais no nosso

Daquele que prenuncia
A partida que já sabia
Do fruto que sempre dizia, gritando
Ciao, mainha...

Daquele grito abafado
Cheio de cuidado e solidão
De lembrança parca
E dor farta

Daquele que anuncia a liberdade
Gritado a altos brados
Solto de dentro d'alma
Ouvido por todos os lados

Daquele que chega
Por todos os ossos
Por outros sentidos
Nos ouvidos vossos

Daquele que finalmente
Liberto daquela semente
Por muitos anos latente
Rouquidão, é o que se sente

De tantos e fartos gritos
Sofridos e variados
Deles vazam pedaços
De corpos despedaçados
De almas dilaceradas

Daqueles gritos
Resta um
Primeiro
Rouco e gutural
Puro e sensual

Aquele que vida trás
Aquele que alma refaz
Aquele que não é só seu
Aquele que é feito por outro
Aquele só e unicamente teu
Aquele de prazer em transe
Aquele que ultrapassa paredes
Aquele que tira o fôlego
Aquele que dá fôlego
Aquele que é
Primordial.

terça-feira, 28 de outubro de 2014

Poemeto nº 30

Sathyá era menina
Pequena
Meiga
Brava
E braba
Dizia o pensamento
Falava à alma
Perfurava os olhos
Ouvia o vento
Subia ao cume
Descia aos estertores
Mas nada a maculava
...tempos passavam
Poucos
E ela jovem
Pensava com maestria
Amora branca que curava
Amora roxa que adoçava
A vida já tão magoada
Da Amora que morria...

terça-feira, 2 de setembro de 2014

Poemeto nº 29

Amo você
Ainda
E incondicionalmente
Infelizmente
Felizmente
Sei lá
Nunca soube
E a palavra se repete
O nunca...

Você nunca fará ideia
Do tanto
Do quanto
e do tão pouco
que eu desejava.
Agora é tarde
Ficou a marca
a mágoa
e a vontade.

Mesmo assim
ainda
amo você.
Sim.
Escute isso
e aceite
que alguém te ama
Inteiro
não só uma parte
Todo
Não só uma função
Completo
mesmo que não desfrutasse
Totalmente
e gratuitamente

Aceite
Porque não depende de você
Aguente
Porque não importa o que você faça
Ele, o amor, é assim mesmo
Existe
Desiste
Insiste
e persiste
Mesmo à distância
Mesmo que na infância
Mesmo que com relutância

E admito
que sinto sua falta,
seu cheiro e sua voz
mas sobrevivo
e uso esse sentimento
porque dele não tenho medo
só o inseto me assusta, você sabe
O homem não.
O homem fraco, também não.
O homem só, muito menos.
Porque não temo a dor
Sinto-a
Uso-a
Amo-a.

Aprenda, ao menos uma vez na vida
Sinta, admita, reflita
Não é vergonha
Você, apesar de não querer, é humano.
É homem.
Seja homem então
no sentido total da palavra
Literal.
Pare de assistir a vida
Desça do seu camarote
Ao menos uma vez,
desfrute sua dor
que existe e é grande.
E não sou a causadora.

Tanto me ensinou sobre aprender com o passado
Quebre a casca
Ame o menino que há em você
Ele não tem culpa
Assim é a vida.
Nem menos,
Nem nunca,
Só a vida.

Ame,
Aceite,
Aguente.
Você não controla tudo
Você não é o centro do universo
Respire e viva.
É o que farei
Amando-te.




sexta-feira, 8 de agosto de 2014

Poemeto nº 28

Nada faz sentido
Nada faz libido
Nada é sempre nada
Nada foi sempre tudo
Aliás, nada sempre foi nossa palavra
Nunca pude deixar de querer
Nunca pude deixar de sonhar
Nunca pude deixar de te amar
Nunca será sempre nunca
Aliás, nunca sempre foi
Sempre foi armado
Sempre foi amado
Sempre foi protegido
Sempre foi querido
Sempre foi espremido
Tempo surgido
Tempo esquecido
Tempo passado
Tempo magoado
Tempo, tempo
Nada foi sempre
Nunca foi nada
Tempo sem tempo
Sonho afogado
Sonho afundado
Sonho ardido
Sonho sofrido
Sonho mais nada
Sonho mais nunca
Sonho sempre
Sonho sempre dispensado
Sonho sempre sonhado
Sonho nunca realizado
Sonho nada feito
Sonho nunca amado
Sonho com um tempo
Um tempo amado
Um tempo onde o sempre será nunca nada.


segunda-feira, 19 de maio de 2014

Poemeto nº 27

Tal qual
seiva de pinhal
de casca melada
e rachada
solta e travada
rústico e rascante
marcante
acre e ácido
puro, in natura
tal qual a casca dura
com cheiro de tudo
cheiro de nada
cheiro de quase
quase nada
quase nenhum
quase tudo
Ânsia de aspirar
à espera de que entupa
à angústia de que exceda
o limite da contrição
desse quase
desse tudo
desse nenhum
desse não existe.
Haurir esse olor...oh dor...

sexta-feira, 11 de abril de 2014

Reminicências

Sua madeixas cacheadas cobriam as costas
a mão poderosa as abocanhou
de súbito, o cenário mudou...
O que antes era prazer estonteante,
tomou outro formato.
Então o cheiro de guerra surgiu...
Acre, ferroso, sanguíneo
O contato não mais era o de um lençol macio
mas sim, de madeira, uma mesa...
A rudeza das estocadas substituiu o carinho que antes fluía...
Das sensações de perfume oleoso
às sufocações com a fumaça do vilarejo...
Da nudez quase total e planejada
à aspereza da blusa rasgada de algodão
Da elevação da libido
à subida da saia de sarja marrom
Antes, no presente, um toque conhecido
Vivo e gentil,
Mesmo não pudendo,
Amoroso e quente...
Agora, o toque lascivo, bruto
Frio e incontável
Não saberia dizer ao certo
quanto tempo o tempo caminhou
até que tanta dor fosse desenterrada...
Apenas foi deixada passar
Catarse somente
Parte da cura, da curra...

O ser silente, que sábio, causou o fato, esperou...
E ainda com mãos quentes, reconduziu a trama...
E unguento passou e acalmou

Não sabia de onde ela vinha
Nem porque tinha estado lá
Simplesmente esperou

Quando ela se recobrou
e os cheiros se dissiparam
Sentiu o tamanho e o peso
Dele que esperava...

E o abraço dele foi o melhor
Reconfortante e seguro
E depois de mais aquele muro
Certamente, ela, não precisava mais
refugar o júbilo,
encolher o sopro,
boicotar o sonho

Então...chorou...
Lavou e entregou ao tempo
o mesmo que antes a levara ao sofrimento
toda a mágoa e ranço...
E, olhando para o instrumento
abriu-se de contentamento
superando o encolhimento
E suspirou...
Dilatou...
Aceitou...
E com a coisa completa,
Gritou,
Riu
E leve ficou

Ele, olhando, apertou os olhos e disse do alto de sua montanha: onde estava?
Ela respondeu: Aí, dentro de você...


terça-feira, 1 de abril de 2014

Poemeto n 26

Tal qual nervo exposto
cheio de sensações
funcionava aquele trejeito
quase no peito
rotundo, enorme
abria-se até o sino
ou mais
repetidas vezes
ou mais
simples, concentrado
ou mais...
quando da base
sentia-se o gosto
também por vezes
voltava-se outros gostos
demais
tremores surtados
babas infindas
ou mais
traziam para a mente
ideias demais
prazeres totais
quase guturais
franceses, ademais
Até por vezes, por demais
pele demais
gozo demais
ah quanto mais
melhor
ou mais

quarta-feira, 12 de março de 2014

Poemeto nº 25

No momento em que encostava
Tudo esquentava
Tudo tremia
Toque conhecido, demorado
De namorado
Com ar melado
Doce e apegado
Desse tive saudade
Desse lembro de detalhes
Seu toque suave
Sua força e encaixe
Sua preocupação extremada
Sua obstinação
A coragem de guerreiro
Demonstrada num mergulho
Sem saber o tempo exato
Daquele carinho torturante
Escurecia os olhos
Para a sensação ser compartilhada
Não sabia mais ao certo onde a minha acabava e a dele começava
Era uma languidez tamanha
Que desmanchava contornos
e sugava licores
e desmanchava fronteiras...
num dado momento, somente sentido
o dourado escorria e salgava
e o êxtase contorcia
e o corpo deitava
afundava, aliás
pesava como chumbo enquanto a alma leve...flutuava
cheia de torpor e gozo...
Desse eu sinto falta
Desse eu não desacostumo
Desse vale cada ahn e ai

Ah...desse...

quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

Poemeto nº 24

Eu não tenho mais casca
Você arrancou
No dente
Expôs todas as minhas dores
E fraquezas
Eu estava murcha, pequena, frágil
De revestimento mole
Como pulpa
Ainda amorfa, apesar dos anos idos
A secura do sol
E a dureza do recurso terapêutico
Foi endurecendo a tez novamente
Mas essa dantes pálida e fosca
Levada do caos à paz
É agora translúcida e brilhante
Quem está fora
Vê o que se passa dentro
Tal qual vidro
Blindado porém
Pois, apesar da vista
Ficou intangível
Há uma fresta porém
Mas essa
Não conto para ninguém
Nessa greta
Insinuou-se um grão de areia
E considerando o que ocorre em ostras
Esperarei o resultado
Amado...

segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

Poemeto nº 23

Três furos
Quatro frases
o preciso para o ataque
certeiro
gostoso
louro
molhado
Grande espaço 
grande mesmo
cheiro bom e branco
sabe talco?
 macio e aconchegante
meio com pressa
meio salgado
ventando ou não
bom...
ficou a vontade
de tomar mais vento
mais profundamente

sábado, 18 de janeiro de 2014

Paródia/Titãs

Eu não ando mais da forma que eu lia
Eu não leio mais da forma que eu vivia
E de repente, o mundo ficou tão estranho
Como a vida pôde ficar desse tamanho?

segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

Poemeto nº 22

Como não temer
perder algo que não se tem?
Não te pertence
igual símbolo matemático
mas te contém
E você está contido.
Então, perder como?
Se já o amálgama secou
mas o medo persiste
a paúra ronda
e o não saber também
A consciência trava uma batalha
entre a curiosidade e o temor
Abrir nova pasta
Novos trabalhos
Sem findar os já começados
sem saber se o começado é garantido.
Nunca saberá
a garantia não é comprada.
Arriscar talvez?
Ajudar talvez?
Tentar falar talvez
Talvez
Essa é a palavra chave.
Talvez ame
Talvez goste
Talvez acabe
Talvez desista
...
mas o que já existe não acaba
e nem o que é para sempre
como saber?
...

"Lisbela e o prisioneiro" ou " As asas e os grilhões"

Bela moça.
Belo encontro.
Surge então a empatia...
Ela, de asas.
Ele, de grades.
Ela, liberta.
Ele, encarcerado.
Qual o raio de poder que ela usou,
que desgastou as grades
e abriu caminhos?
Ele, antes refém de si mesmo...
Inspirou.
Ela, antes volitando...
Pousou.
A cópula foi perfeita,
assistida porém...
Mas a espessura das grades exigia ajuda
e afinal, anjos não perturbam
mesmo quando palpitam.
Daí, descerrou-se a cortina,
E descobriu-se fatos,
E aprendeu-se coisas,
E cheiraram-se versos...
E ele, antes reprimido, preso, atado
achou-se...ela...
E alegremente se doou
como mulher que sempre foi,
não como o homem que a vida impôs ser,
mas como o ser ambíguo que sempre fora.
Ela, voou...
Ele, expirou...

quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

Poemeto nº 21

Para mim é sempre tarde
Para mim é sempre longe
Para mim é sempre depois
Para mim é sempre
Sempre eu
Para mim é só amor
Para mim é só desejo
Para mim é só novidade
Para mim é só
Só nós
Para nós nunca é a hora
Para nós nunca é possível
Para nós nunca é agora
Para nós é nunca
Nunca nós