quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

Poemeto nº 24

Eu não tenho mais casca
Você arrancou
No dente
Expôs todas as minhas dores
E fraquezas
Eu estava murcha, pequena, frágil
De revestimento mole
Como pulpa
Ainda amorfa, apesar dos anos idos
A secura do sol
E a dureza do recurso terapêutico
Foi endurecendo a tez novamente
Mas essa dantes pálida e fosca
Levada do caos à paz
É agora translúcida e brilhante
Quem está fora
Vê o que se passa dentro
Tal qual vidro
Blindado porém
Pois, apesar da vista
Ficou intangível
Há uma fresta porém
Mas essa
Não conto para ninguém
Nessa greta
Insinuou-se um grão de areia
E considerando o que ocorre em ostras
Esperarei o resultado
Amado...

segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

Poemeto nº 23

Três furos
Quatro frases
o preciso para o ataque
certeiro
gostoso
louro
molhado
Grande espaço 
grande mesmo
cheiro bom e branco
sabe talco?
 macio e aconchegante
meio com pressa
meio salgado
ventando ou não
bom...
ficou a vontade
de tomar mais vento
mais profundamente

sábado, 18 de janeiro de 2014

Paródia/Titãs

Eu não ando mais da forma que eu lia
Eu não leio mais da forma que eu vivia
E de repente, o mundo ficou tão estranho
Como a vida pôde ficar desse tamanho?

segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

Poemeto nº 22

Como não temer
perder algo que não se tem?
Não te pertence
igual símbolo matemático
mas te contém
E você está contido.
Então, perder como?
Se já o amálgama secou
mas o medo persiste
a paúra ronda
e o não saber também
A consciência trava uma batalha
entre a curiosidade e o temor
Abrir nova pasta
Novos trabalhos
Sem findar os já começados
sem saber se o começado é garantido.
Nunca saberá
a garantia não é comprada.
Arriscar talvez?
Ajudar talvez?
Tentar falar talvez
Talvez
Essa é a palavra chave.
Talvez ame
Talvez goste
Talvez acabe
Talvez desista
...
mas o que já existe não acaba
e nem o que é para sempre
como saber?
...

"Lisbela e o prisioneiro" ou " As asas e os grilhões"

Bela moça.
Belo encontro.
Surge então a empatia...
Ela, de asas.
Ele, de grades.
Ela, liberta.
Ele, encarcerado.
Qual o raio de poder que ela usou,
que desgastou as grades
e abriu caminhos?
Ele, antes refém de si mesmo...
Inspirou.
Ela, antes volitando...
Pousou.
A cópula foi perfeita,
assistida porém...
Mas a espessura das grades exigia ajuda
e afinal, anjos não perturbam
mesmo quando palpitam.
Daí, descerrou-se a cortina,
E descobriu-se fatos,
E aprendeu-se coisas,
E cheiraram-se versos...
E ele, antes reprimido, preso, atado
achou-se...ela...
E alegremente se doou
como mulher que sempre foi,
não como o homem que a vida impôs ser,
mas como o ser ambíguo que sempre fora.
Ela, voou...
Ele, expirou...

quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

Poemeto nº 21

Para mim é sempre tarde
Para mim é sempre longe
Para mim é sempre depois
Para mim é sempre
Sempre eu
Para mim é só amor
Para mim é só desejo
Para mim é só novidade
Para mim é só
Só nós
Para nós nunca é a hora
Para nós nunca é possível
Para nós nunca é agora
Para nós é nunca
Nunca nós