segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

"Lisbela e o prisioneiro" ou " As asas e os grilhões"

Bela moça.
Belo encontro.
Surge então a empatia...
Ela, de asas.
Ele, de grades.
Ela, liberta.
Ele, encarcerado.
Qual o raio de poder que ela usou,
que desgastou as grades
e abriu caminhos?
Ele, antes refém de si mesmo...
Inspirou.
Ela, antes volitando...
Pousou.
A cópula foi perfeita,
assistida porém...
Mas a espessura das grades exigia ajuda
e afinal, anjos não perturbam
mesmo quando palpitam.
Daí, descerrou-se a cortina,
E descobriu-se fatos,
E aprendeu-se coisas,
E cheiraram-se versos...
E ele, antes reprimido, preso, atado
achou-se...ela...
E alegremente se doou
como mulher que sempre foi,
não como o homem que a vida impôs ser,
mas como o ser ambíguo que sempre fora.
Ela, voou...
Ele, expirou...

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