sexta-feira, 11 de abril de 2014

Reminicências

Sua madeixas cacheadas cobriam as costas
a mão poderosa as abocanhou
de súbito, o cenário mudou...
O que antes era prazer estonteante,
tomou outro formato.
Então o cheiro de guerra surgiu...
Acre, ferroso, sanguíneo
O contato não mais era o de um lençol macio
mas sim, de madeira, uma mesa...
A rudeza das estocadas substituiu o carinho que antes fluía...
Das sensações de perfume oleoso
às sufocações com a fumaça do vilarejo...
Da nudez quase total e planejada
à aspereza da blusa rasgada de algodão
Da elevação da libido
à subida da saia de sarja marrom
Antes, no presente, um toque conhecido
Vivo e gentil,
Mesmo não pudendo,
Amoroso e quente...
Agora, o toque lascivo, bruto
Frio e incontável
Não saberia dizer ao certo
quanto tempo o tempo caminhou
até que tanta dor fosse desenterrada...
Apenas foi deixada passar
Catarse somente
Parte da cura, da curra...

O ser silente, que sábio, causou o fato, esperou...
E ainda com mãos quentes, reconduziu a trama...
E unguento passou e acalmou

Não sabia de onde ela vinha
Nem porque tinha estado lá
Simplesmente esperou

Quando ela se recobrou
e os cheiros se dissiparam
Sentiu o tamanho e o peso
Dele que esperava...

E o abraço dele foi o melhor
Reconfortante e seguro
E depois de mais aquele muro
Certamente, ela, não precisava mais
refugar o júbilo,
encolher o sopro,
boicotar o sonho

Então...chorou...
Lavou e entregou ao tempo
o mesmo que antes a levara ao sofrimento
toda a mágoa e ranço...
E, olhando para o instrumento
abriu-se de contentamento
superando o encolhimento
E suspirou...
Dilatou...
Aceitou...
E com a coisa completa,
Gritou,
Riu
E leve ficou

Ele, olhando, apertou os olhos e disse do alto de sua montanha: onde estava?
Ela respondeu: Aí, dentro de você...


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