terça-feira, 2 de setembro de 2014

Poemeto nº 29

Amo você
Ainda
E incondicionalmente
Infelizmente
Felizmente
Sei lá
Nunca soube
E a palavra se repete
O nunca...

Você nunca fará ideia
Do tanto
Do quanto
e do tão pouco
que eu desejava.
Agora é tarde
Ficou a marca
a mágoa
e a vontade.

Mesmo assim
ainda
amo você.
Sim.
Escute isso
e aceite
que alguém te ama
Inteiro
não só uma parte
Todo
Não só uma função
Completo
mesmo que não desfrutasse
Totalmente
e gratuitamente

Aceite
Porque não depende de você
Aguente
Porque não importa o que você faça
Ele, o amor, é assim mesmo
Existe
Desiste
Insiste
e persiste
Mesmo à distância
Mesmo que na infância
Mesmo que com relutância

E admito
que sinto sua falta,
seu cheiro e sua voz
mas sobrevivo
e uso esse sentimento
porque dele não tenho medo
só o inseto me assusta, você sabe
O homem não.
O homem fraco, também não.
O homem só, muito menos.
Porque não temo a dor
Sinto-a
Uso-a
Amo-a.

Aprenda, ao menos uma vez na vida
Sinta, admita, reflita
Não é vergonha
Você, apesar de não querer, é humano.
É homem.
Seja homem então
no sentido total da palavra
Literal.
Pare de assistir a vida
Desça do seu camarote
Ao menos uma vez,
desfrute sua dor
que existe e é grande.
E não sou a causadora.

Tanto me ensinou sobre aprender com o passado
Quebre a casca
Ame o menino que há em você
Ele não tem culpa
Assim é a vida.
Nem menos,
Nem nunca,
Só a vida.

Ame,
Aceite,
Aguente.
Você não controla tudo
Você não é o centro do universo
Respire e viva.
É o que farei
Amando-te.