quinta-feira, 13 de novembro de 2014

Poemeto nº 31

Ah...anjo...
Não te deixo
Não me deixas
Não somos
Nem seremos
Mas fomos
Por breves instantes
Perfeitos
Unidos
Suados
Bicolores
Odores
Amores

Ah... anjo...
Cai do céu
Aparece
Voa novamente
Pousa aqui
Dentro desse peito
Que nunca te esqueceu
Ri
Sorri
e me desmonta
Me joga de cá prá lá
Me chama de branca

Ah...anjo...
Esqueço não
Queria mesmo olvidar
O entender
O encontrar
Mesmo sem querer
Mesmo sem contar

Ah...anjo...
Bate asas pro noroeste
Boreste, leste
Algo assim
Mas pousa por aqui
De verdade
Aí, olvido...e volto a sonhar

A lente objetiva e o copo de leite

E deu-se o conhecimento
Lento como esperado
e foguento como devido.
A lente de vários milímetros
O leite de vários matizes
Com função de ler e olhar
a lente era espetacular
Como função de nutrir e amar
O leite era sem par
Estranha combinação
Um vê, guarda
Outro nutre, dá
Mas como explicar
Coisas já prontas?
Daquelas que vem assim
Sem onda fazer
Sem mau causar
Então...aproveitar!
A lente que tudo vê
Deve aprender a nutrir.
O copo que tudo dá
Deve aprender a sonhar.
Sem molhar a lente.
Sem azedar o leite.
Somente manipulando os zoons.
Somente adoçando as bocas.
Abrindo o diafragma...
Deixando tudo branco...
Captar e mover...
Saciar e ir...
Só.

quarta-feira, 5 de novembro de 2014

Grito Primordial ( argumento Raul la Fuente)

Daquelas lembranças tais
Que são desiguais
Essas geniais
Queria guardar jamais...mas...

Daquele primeiro vagido
Doído, nascedouro
Ar entrando, rasgando
Tomando forma e cor
E sabor
Pouco lembro...

Daquele ouvido e temido
"Menino, entra!"
Tremido e adivinhado
Desse advinha até temor
Mas não passava de amor

Daquele prenunciado
Antes do pecado
Ohhh...primogênito e só
Cheio de cheiros, e só

Daquele que fugia ao controle
Da expectativa, fininho
De surpresa e alegria

Daquele do qual nasce o fruto
Baixio e forte
Longo e até cruel

Daquele de dor, no sangue, no outro
E mesmo sem talho vosso
Dói mais no nosso

Daquele que prenuncia
A partida que já sabia
Do fruto que sempre dizia, gritando
Ciao, mainha...

Daquele grito abafado
Cheio de cuidado e solidão
De lembrança parca
E dor farta

Daquele que anuncia a liberdade
Gritado a altos brados
Solto de dentro d'alma
Ouvido por todos os lados

Daquele que chega
Por todos os ossos
Por outros sentidos
Nos ouvidos vossos

Daquele que finalmente
Liberto daquela semente
Por muitos anos latente
Rouquidão, é o que se sente

De tantos e fartos gritos
Sofridos e variados
Deles vazam pedaços
De corpos despedaçados
De almas dilaceradas

Daqueles gritos
Resta um
Primeiro
Rouco e gutural
Puro e sensual

Aquele que vida trás
Aquele que alma refaz
Aquele que não é só seu
Aquele que é feito por outro
Aquele só e unicamente teu
Aquele de prazer em transe
Aquele que ultrapassa paredes
Aquele que tira o fôlego
Aquele que dá fôlego
Aquele que é
Primordial.