domingo, 17 de maio de 2015

quarta-feira, 6 de maio de 2015

Poemeto n°36

Não preciso
Não quero
Muito bem
Também não preciso
Também não quero
Nunca precisei
Nunca quis
Nada além do dito normal
Nada além do sublimado
E voltam as palavras
Nada
Nunca
Acrescidas de uma nova
O não
Que de forma definitiva
E cruel
Joga gelo nesse velho terreno
O deixa novamente árido
Seco e murcho
Aliás
E essa também é nova
A aridez não assusta
Ao contrário
Fortalece mais
Ensina mais
O que é dantesco
E inesperado é
Como uma criatura
Feita de amor
Só aprende com a rudeza?
E assim coleciona mais um calo
Mais uma cicatriz
Pela simples razão
De amar desmedidamente
De amar sem olhar
De amar sem escolher
De simplesmente amar sem medo
Agora colhe a infrutífera contenda
Jogou semente em solo
Que nunca foi adubado
Nem remexido
Nem plantado
Em solo que nunca produziu
Sentimento nem fruto
Solo árido, duro
A sorte é que as sementes jogadas
Por força da inerente e também cruel natureza
Germinarão
A qualquer custo
Sem a mínima dúvida
Sem dar a menor importância a opinião do solo
Sem teorias ou defesas
Simplesmente brotarão
Frutificarão e novamente cairão
Porque esse é o ciclo da vida
Inexorável
Talvez o solo seco demore
Talvez precise de mais tempo
Talvez precise de mais água
Talvez essa água seja salgada
Chorosa
Talvez o solo nunca veja esses frutos
Talvez não perceba a riqueza que possui
Talvez não saiba o poder inerente a ele
Talvez
Não
Nunca
Repetem-se os vocábulos
Repetem-se as ações
Mas os resultados advindos
Talvez mudem
Ou não despertem o esperado
Ou nunca se veja o intento frutificado
De ver finalmente
Esse solo amado

domingo, 3 de maio de 2015

Poemeto n°35

Entre almas e lençóis
Coisas podem ser ditas
Almas são transparentes
Lençóis são confidentes
Dores na alma
Lençóis que as acolhem
E enxugam
Cores da alma
Lençóis que as desbotam
Que as escolhem
A alma pode ser lavada
Assim como os lençóis
Deve ser molhada
Com lágrimas de tristeza
Ou alegria
Deve ser ensaboada
Com sabões diversos
Suaves, cheirosos
Ou aqueles feitos de soda
Que branqueiam à força
Como os lençóis, precisam das mãos
Para esfregá-las e torcê-las
Mãos essas que quase nunca são as suas
As almas devem ser quaradas
Estendidas cheias de sabão
Ao sol
Para que o calor desse
Dizime as últimas manchas
De dor
Ou amor
Quando o lençol endurece ao sol
Então pode ser novamente lavado
Já pronto
E limpo
Livre de nódoas e cracas
Assim também com a alma
Molha
Ensaboa
Quara
Enxágua
Depois fica ao sabor do vento
Balançando
E espalhando aquele cheiro gostoso
A alma lavada exala esse mesmo cheiro
Bom de ficar perto
Bom de sentir
E desse tanto
Ela fica novamente pronta para a vida
Porque assim como os lençóis
Vai novamente receber as águas salgadas do corpo
E da vida
De novo