domingo, 3 de maio de 2015

Poemeto n°35

Entre almas e lençóis
Coisas podem ser ditas
Almas são transparentes
Lençóis são confidentes
Dores na alma
Lençóis que as acolhem
E enxugam
Cores da alma
Lençóis que as desbotam
Que as escolhem
A alma pode ser lavada
Assim como os lençóis
Deve ser molhada
Com lágrimas de tristeza
Ou alegria
Deve ser ensaboada
Com sabões diversos
Suaves, cheirosos
Ou aqueles feitos de soda
Que branqueiam à força
Como os lençóis, precisam das mãos
Para esfregá-las e torcê-las
Mãos essas que quase nunca são as suas
As almas devem ser quaradas
Estendidas cheias de sabão
Ao sol
Para que o calor desse
Dizime as últimas manchas
De dor
Ou amor
Quando o lençol endurece ao sol
Então pode ser novamente lavado
Já pronto
E limpo
Livre de nódoas e cracas
Assim também com a alma
Molha
Ensaboa
Quara
Enxágua
Depois fica ao sabor do vento
Balançando
E espalhando aquele cheiro gostoso
A alma lavada exala esse mesmo cheiro
Bom de ficar perto
Bom de sentir
E desse tanto
Ela fica novamente pronta para a vida
Porque assim como os lençóis
Vai novamente receber as águas salgadas do corpo
E da vida
De novo

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