quarta-feira, 6 de maio de 2015

Poemeto n°36

Não preciso
Não quero
Muito bem
Também não preciso
Também não quero
Nunca precisei
Nunca quis
Nada além do dito normal
Nada além do sublimado
E voltam as palavras
Nada
Nunca
Acrescidas de uma nova
O não
Que de forma definitiva
E cruel
Joga gelo nesse velho terreno
O deixa novamente árido
Seco e murcho
Aliás
E essa também é nova
A aridez não assusta
Ao contrário
Fortalece mais
Ensina mais
O que é dantesco
E inesperado é
Como uma criatura
Feita de amor
Só aprende com a rudeza?
E assim coleciona mais um calo
Mais uma cicatriz
Pela simples razão
De amar desmedidamente
De amar sem olhar
De amar sem escolher
De simplesmente amar sem medo
Agora colhe a infrutífera contenda
Jogou semente em solo
Que nunca foi adubado
Nem remexido
Nem plantado
Em solo que nunca produziu
Sentimento nem fruto
Solo árido, duro
A sorte é que as sementes jogadas
Por força da inerente e também cruel natureza
Germinarão
A qualquer custo
Sem a mínima dúvida
Sem dar a menor importância a opinião do solo
Sem teorias ou defesas
Simplesmente brotarão
Frutificarão e novamente cairão
Porque esse é o ciclo da vida
Inexorável
Talvez o solo seco demore
Talvez precise de mais tempo
Talvez precise de mais água
Talvez essa água seja salgada
Chorosa
Talvez o solo nunca veja esses frutos
Talvez não perceba a riqueza que possui
Talvez não saiba o poder inerente a ele
Talvez
Não
Nunca
Repetem-se os vocábulos
Repetem-se as ações
Mas os resultados advindos
Talvez mudem
Ou não despertem o esperado
Ou nunca se veja o intento frutificado
De ver finalmente
Esse solo amado

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